segunda-feira, 14 de maio de 2012


EXPLICANDO A INTELIGÊNCIA

   A.  Como veremos a seguir, a aptidão para registrar imagens no cérebro deu origem a inteligência humana – a inteligência se fundamenta na tentativa de interpretar (compreender) as lembranças (imagens) registradas em nosso cérebro;

B.  Explicando melhor: Suponho que assistiu ao filme AVATAR. Pois saiba que todas as IMAGENS do filme foram registradas em seu CÉREBRO – e permanecerão registradas para sempre. Assim sendo você usa a inteligência e, VENDO AS IMAGENS DO FILME EM SEU CÉREBRO, tenta compreendê-lo;

C.  TOTÓ CINÉFILO: Seu cão assiste ao mesmo filme centenas de vezes. Mas, como sabemos que ele não possui aptidão para registrar as IMAGENS no cérebro, seu cão jamais compreenderá o filme;

D. A aptidão para registrar IMAGENS no cérebro nos diferenciou das demais espécies – mais adiante explico ONDE e COMO descemos das árvores.

E.  A beleza do Universo (as imagens do mundo) sempre existiu. No entanto, antes de evoluir a MEMÓRIA não conseguíamos registrar suas imagens no cérebro – e compreendê-las;

F.   Galileu Galilei, após registrar em seu CÉREBRO imagens do sistema solar, descobriu as manchas solares, as montanhas da lua, os anéis de saturno, a Teoria Heliocêntrica, etc;

G.  Charles Darwin, após registrar em seu CÉREBRO imagens de fósseis e organismos vivos, descobriu sua teoria revolucionária;

H. Edwin Hubble, após registrar em seu CÉREBRO imagens do cosmos, descobriu que nuvens de gás distantes e periféricas eram na verdade galáxias – bilhões de galáxias;

I.     Einstein, após registrar em seu CÉREBRO imagens do cosmos, descobriu que a LUZ (apenas a luz, não o tempo) acompanha a curvatura do espaço;

J.    Clyde Tombaugh, após registrar em seu CÉREBRO imagens do sistema solar, descobriu o nosso atual planetóide PLUTÃO.

OBS: Telescópios e microscópios não tiram conclusões, apenas mostram imagens. Nosso CÉREBRO, sim, registra as imagens e tira conclusões.



EXPLICANDO O DESEJO


A.  As imagens e o desejo: como veremos a seguir, a aptidão para registrar IMAGENS no CÉREBRO deu origem ao DESEJO – desejamos imagens. OBS: Temos aptidão para registrar imagens no cérebro, e aptidão para VER as imagens em nosso cérebro – vemos nossas lembranças;

B.  Veja e registre em seu CÉREBRO as IMAGENS contidas numa revista PLAYBOY. Agora feche a revista e, vendo as imagens em seu cérebro, responda: quantas garotas (imagens) você DESEJOU? Provavelmente a resposta será: TODAS – desejamos imagens.

OBS: o BELO (as imagens do mundo) sempre existiu. No entanto, antes de evoluir a MEMÓRIA não conseguíamos registrar as IMAGENS no CÉREBRO – e desejá-las.               Por razões óbvias, defino o desejo sob o ponto de vista do macho. As mulheres, claro, também DESEJAM IMAGENS;

C.  Uma revista com fotos de cadelas com formas perfeitas e harmoniosas (Playdog?) não deixará o seu cão excitado. Os cães não possuem aptidão para registrar imagens no cérebro, e, portanto, não conseguem DESEJAR IMAGENS

A NATUREZA determina o período de acasalamento e a fêmea exala um odor característico. Portanto, um cão - através do olfato - DESEJO ODORES.

D. O CANTO DAS BALEIAS: Uma revista com fotos de baleias com formas perfeitas e harmoniosas (Playorca?) não deixará o macho excitado. As baleias não possuem aptidão para registrar imagens no cérebro, e, portanto, não conseguem DESEJAR IMAGENS.  

 A NATUREZA determina o período de acasalamento e a fêmea emite um canto característico. Portanto, uma baleia – através da audição – DESEJA SONS;         
                                                     
E.  Como podemos, a todo o momento, registrar IMAGENS no CÉREBRO, passamos a DESEJAR continuamente. Para nós, homo-sapiens, a natureza não mais determina o período de acasalamento. O DESEJO SE LIBERTOU;
F.   Como vimos, podemos DESEJAR todas; AMAR, apenas uma por vez. Portanto, o DESEJO nasceu primeiro. O AMOR é um traço evolutivo do DESEJO;

G.  SALÉM: Três indivíduos registram em seus cérebros a IMAGEM de uma única mulher, e passam a desejá-la. Três homens desejando a mesma mulher... Isto provavelmente gerou conflitos. Se uma mulher pode levar os homens ao confronto, é porque existe algo de errado com elas. Foi por causa dessa ideia equivocada que, em muitas religiões, as mulheres foram demonizadas. Culminando com o advento de Caça às Bruxas. Um equívoco imperdoável.

  H.  A BURKA: Busque em seu CÉREBRO a lembrança da Gisele Bündchen. Agora a imagine de biquíni... Provavelmente você sentirá atração. Agora a imagine com uma BURKA tapando até os olhos... Provavelmente não sentirá atração. A vestimenta impede a visão das formas (da beleza) da mulher. Sem registrar a beleza no CÉREBRO, não há DESEJO (pecado?).

I.     LARA CROFT: Uma mulher registra em seu CÉREBRO a imagem do Brad Pitt... Não sente qualquer emoção. Em seguida ela registra no CÉREBRO a imagem da Angelina Jolie e enlouquece de DESEJOS. Nossa personagem não escolheu ser homossexual. Foi o seu CÉREBRO que escolheu a IMAGEM (no caso a imagem da Angelina) que DESPERTOU EMOÇÕES;

J.    SEXO SOLITÁRIO: Isso comprova que uma boa MEMÓRIA e alguma imaginação é capaz de... Provocar ACNE e crescimento de pelos nas mãos;
ü LEMBRO da imagem da Halle Berry, logo fico estimulado;
ü LEMBRO da imagem da Jennifer Aniston, logo fico exaltado;
ü LEMBRO da imagem da Catherine Zetta Jones, logo fico animado;
ü Em nossas fantasias (criações imaginadas no cérebro) somos todos dissolutos.

K.  LEMBRO do prazer, logo desejo o objeto causador. E assim, nasceu a COMPULSÃO: por jogos de azar, compras, vídeo-game, internet, comida, bebida, drogas, sexo e Rock and Roll, etc.



EXPLICANDO O AMOR

     


AMOR: 1. Afeição profunda; 2. Objeto dessa afeição; Pessoa amada. (Minidicionário LUFT).




A.  Lembro do objeto da afeição, logo amo. A memória, portanto, explica o advento do amor no CÉREBRO (e não no coração) humano.

B.  Quando Vinicius disse: “O amor é eterno enquanto dura”; ENTENDA-SE: O amor é eterno enquanto a LEMBRANÇA do objeto da afeição permanecer (fixa) em nosso CÉREBRO.

C.  Na citação abaixo (do Amor e Outros Demônios – Gabriel Garcia Marquez), pode-se constatar que o AMOR é apenas a sequela de uma LEMBRANÇA que, autônoma, decide permanecer martelando nosso CÉREBRO:
“(O Padre Cayetano Delaura) ficou de olhos fechados para pensar (LEMBRAR) melhor em Sierva Maria enquanto rezava. Retirou-se para biblioteca mais cedo que de costume, pensando nela (LEMBRANDO DELA) e quanto mais pensava (LEMBRAVA) mais aumentavam suas ânsias de pensar (ela tornou-se uma LEMBRANÇA OBSESSIVA), (...) e sem dar tempo ao pânico, libertou-se da matéria turva (limites, cânones memorizados) que o impedia de viver.
Confessou que não passava um instante sem pensar nela (SEM LEMBRAR DELA), que tudo que bebia e comia tinha o gosto dela (O FAZIA LEMBRÁ-LA), que a vida era ela (A LEMBRANÇA DELA), a toda hora e em toda parte, como só Deus tinha o direito e o poder de ser (IMPOTENTE AO PERCEBER A LEMBRANÇA DE SIERVA MARIA SUPLANTAR A LEMBRANÇA DO SEU DEUS), e que o gozo supremo de seu coração (de seu cérebro) seria morrer com ela.”

OBS: O Padre Cayetano LEMBRA OBSESSIVAMENTE da IMAGEM de Sierva Maria que está impressa em seu CÉREBRO. Desejamos e amamos IMAGENS.


D. “O Cérebro tem razões que a própria razão desconhece” - Blaise Pascal.
Não escolhemos amar a CAPITU, a Sierva Maria ou a princesa Feona. A lembrança predileta (obsessiva) quem escolhe é o nosso CÉREBRO.





 ü Mas, e o CORAÇÃO da frase original? Qual o seu papel nessa história toda? 

 ü Resposta: Absolutamente nenhum. O coração é apenas um músculo responsável pela circulação do sangue. AMAMOS no CÉREBRO




A.  Ex-Amor: Se o amor é a somatização de uma LEMBRANÇA fixa em nosso CÉREBRO, o que seria m ex-amor? Considerando que LEMBRANÇAS são indeléveis, não se pode apagar as lembranças do ex-amor.


EXPLICAÇÃO: As lembranças, que antes despertavam afeto, permanecem registradas em seu CÉREBRO. A diferença é que hoje despertam indiferença, desprezo e, muitas vezes, até ódio.


B.  O CÉREBRO NOS TEMPOS DO CÓLERA: A citação abaixo (de o Amor nos Tempos do Cólera) define bem um ex-amor: “Fermina sempre se admirava quando sua prima suspirava: - Pobre homem, como deve ter sofrido. Pois ela o via (LEMBRAVA de FLORENTINO) sem sofrimento desde muito tempo. Ele era uma sombra (LEMBRANÇA) apagada”.


C.  CÉREBRO SEM JUÍZO: Não escolhemos quem amar e muito menos deixar de amar. É o nosso cérebro quem escolhe. Acho que foi isso que Vinícius de Moraes quis dizer quando disse: - “O amor não tem juízo: Não fica (no cérebro) quando se quer, e não vai (não esquecemos) quando é preciso.”


D. Poeticamente o amor pode ser definido como um chulé de cabeça.





EXPLICANDO O ÓDIO


  ÓDIO: 1. Aversão profunda. 2. O objeto dessa aversão. 3. Pessoa odiada – MD Luft.




   A.  LEMBRO do objeto da aversão, logo odeio. A memória, portanto, explica o advento da iracúndia no CÉREBRO do homem.





  B.  Se apagássemos do CÉREBRO a lembrança do desafeto, acabaria o Rancor;

Se apagássemos do CÉREBRO a lembrança da amada, acabaria a AFEIÇÃO;
Infelizmente e/ou felizmente LEMBRAÇAS são indeléveis – não podemos apagá-las.

C.  Quando se diz: “O ódio é eterno enquanto dura”; entenda-se: “O ódio é eterno enquanto a LEMBRANÇA do desafeto permanecer fixa em nosso CÉREBRO”.

D. Portanto, o amor e o ódio (duas paixões) são apenas somatizações de LEMBRANÇAS obsessivas – que ficam martelando em nosso CÉREBRO.

E.  Não escolhemos AMAR ou ODIAR – o CÉREBRO faz a escolha por nós.

F.   Às vezes, como na citação abaixo, o AMOR e o ÓDIO se confundem numa única LEMBRANÇA: - “Assim pensava nele (lembrava dele) sem querer, e quanto mais pensava (quanto mais lembrava), mais raiva lhe dava, e quanto mais raiva lhe dava, mais pensava nele (mais lembrava dele), até que a coisa ficou tão insuportável que lhe afogou a razão.” De o Amor nos Tempos do Cólera.



EXPLICANDO A COMPULSÃO

A. LEMBRO compulsivamente do prazer do SEXO, logo desejo PRATICÁ-LO compulsivamente.

B. LEMBRO compulsivamente DO PRAZER DAS DROGAS, logo desejo USÁ-LA compulsivamente.

C. LEMBRO compulsivamente do prazer da COMIDA, logo desejo COMER compulsivamente.

D. LEMBRO compulsivamente do prazer da INTERNET, logo desejo NAVEGAR compulsivamente.

E. LEMBRO compulsivamente do prazer das COMPRAS, logo desejo CONSUMIR compulsivamente.

F. LEMBRO compulsivamente do OBJETO DO AFETO, logo amo compulsivamente. Ex: “MULHERES QUE AMAM DEMAIS” (MADA).

G. A compulsão nasce da ânsia de saciar a LEMBRANÇA de um PRAZER que permanece “MARTELANDO” em nosso CÉREBRO.

H. Com aptidão para registrar (memorizar) o PRAZER no cérebro, passamos a DESEJAR objeto causador.

I. Basta VER (e registrar no cérebro) a IMAGEM do “OBJETO DO PRAZER “ para – imediatamente – despertar o desejo ou a compulsão.

J. Na compulsão, o indivíduo perde a capacidade de ESCOLHER – e é dominado pelo vício.




OBS: Não é possível apagar DO CÉREBRO a lembrança do prazer. Portanto, um viciado será sempre um viciado em potencial. Mas é possível o controle.



EXPLICANDO Sir Charles Scott Sherrington

Retirado de SCIENTIFIC AMERICAN, Nov 2008 - “Em 1937 o grande neurocientista Sir Charles Scott Sherrington expôs o que viria a se tornar uma descrição clássica do CÉREBRO em funcionamento. 

Ele imaginou pontos de luz sinalizando a atividade das células nervosas (neurônios) e suas conexões (sinapses). Segundo ele, durante o sono profundo somente umas poucas áreas remotas do CÉREBRO brilhariam. Mas, ao despertar, é como se a Via Láctea iniciasse uma verdadeira dança cósmica. Rapidamente a massa encefálica se transforma num tear encantado, mas nunca durável; Uma verdadeira harmonia de padrões secundários alternantes”.  


A.  O homem - como um saco vazio que não para em pé - nasce o CÉREBRO oco (sem alma). No entanto, à medida que MEMORIZA sua PERMANÊNCIA no PRESENTE, preenche o cérebro com as LEMBRANÇAS de sua vida - e passa a ter cerne = conteúdo = passado.
OBS: O SOPRO da CRIAÇÃO: pegue um Boneco de Vitalino, preencha-o com LEMBRANÇAS e tem-se um homem.


B.  Em nosso CÉREBRO há uma película de neurônios convenientemente preparada para registrar as impressões dos nossos (5) sentidos: visão, audição, paladar, olfato e tato.
Portanto, nossa massa encefálica está repleta de IMAGENS, SONS, SABORES, AROMAS E IMPRESSÕES TÁTEIS - que são a matéria de que são feitas as lembranças de nossa vida.


C.  DORMIR significa desligar o cérebro e apagar provisoriamente as LEMBRANÇAS. É por este motivo que, de acordo com o texto, durante o sono profundo somente umas poucas áreas remotas do cérebro (poucas lembranças) brilhariam.


D. Ainda de acordo com o texto, ao DESPERTAR nossa massa encefálica se transforma num tear encantado. Isto ocorre porque, ao despertar, nossas LEMBRANÇAS (IMAGENS REGISTRADAS NO CÉREBRO) também acordam - e BRILHAM.


E.  Trecho de Ensaio Sobre a Cegueira - J. Saramago - “(...) se eu voltar a ter olhos olharei verdadeiramente os olhos dos outros, como se estivesse a ver-lhes a alma, A alma, perguntou o velho da venda preta, Ou o espírito, o nome pouco importa, foi então que, surpreendentemente, se tivermos em conta que se trata de pessoa que não passou por estudos adiantados, a rapariga dos óculos escuros disse, Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”.




 ü O que existe dentro de nós agora já se pode nomear: são as LEMBRANÇAS - as lembranças de nossa vida (impressas no CÉREBRO) são os blocos de construção da NOSSA ALMA.

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