terça-feira, 25 de setembro de 2012

EXPLICANDO A FALA E AS MÃOS DO HOMEM:




Trecho de SCIENTIFIC AMERAICAN, junho 2005.


“(...) Mas porque, ainda assim, um chimpanzé não consegue aprender a FALAR e TOCAR piano pelo menos um pouquinho? Um macaco jamais poderia tocar piano. Falta-lhe, para isso, a capacidade de mover os dedos com velocidade e precisão (...) pesquisadores que buscam as qualidades que caracterizam o humano até agora levaram menos em conta que uma outra diferença: nossa posse da linguagem (...)”
 

A. Desenvolvemos a FALA e a HABILIDADE MANUAL simultaneamente, portanto vamos explicá-las conjuntamente.
 
B. Vivemos em um ETERNO PRESENTE: Ao memorizar nossa PERMANÊNCIA NO PRESENTE, preenchemos nosso CÉREBRO com as lembranças de nossa vida. Ao evoluir a MEMÓRIA, portanto, criamos a ilusão do PASSADO nos miolos.

C. ROSEBUD: As lembranças de sua infância se distanciam em seu CIRCUITO CEREBRAL e criam a ilusão de que se afastam no tempo. O passado só existe em nosso cérebro – o tempo é uma ilusão da MEMÓRIA.

D. Devemos entender nosso CÉREBRO como uma FILMADORA ORGÂNICA muito especial, pois é capaz de – utilizando uma Película de Neurônios – registrar as impressões dos nossos (5) sentidos: VISÃO, AUDIÇÃO, PALADAR, OLFATO E TATO.

E.   As LEMBRANÇAS DE NOSSA VIDA, portanto, estão todas registradas em nosso CÉREBRO e são formadas por: IMAGENS (principalmente imagens), SONS, SABORES, ODORES E SENSAÇÕES TÁTEIS.

F.   As lembranças de nossa vida são formadas basicamente por IMAGENS. A aptidão para REGISTRAR IMAGENS no CÉREBRO nos tornou humanos e permitiu, entre outras coisas, o desenvolvimento da FALA e das MÃOS.

Antes de seguir adiante é preciso explicar passo a passo como...

REGISTRAMOS IMAGENS NO CÉREBRO


“(...) O médico resumiu o que investigara nos livros antes de ter cegado. Algumas camas adiante, escutava com atenção, e quando o médico terminou o seu relato, disse de lá, Aposto que o que sucedeu foi terem-se entupido os canais que vão dos OLHOS até aos MIOLOS, forte besta, resmungou indignado o ajudante de farmácia, Quem sabe, o médico sorriu sem querer, na verdade os OLHOS não são mais do que umas lentes, umas objectivas, o CÉREBRO é que realmente , tal como na película (DE NEURÔNIOS) a IMAGEM aparece”. Trecho de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA.


A.  A explicação do médico está correta: Realmente enxergamos no CÉREBRO.

B. CINEMA, ASPIRINAS e URUBUS: Por exemplo, busque em seu CÉREBRO as imagens do mais recente filme que assistiu. Agora – vendo as imagens do filme em seu cérebro – faça uma sinopse do filme. Isto é possível porque temos aptidão para registrar imagens no cérebro, e VER as imagens em nosso CÉREBRO.

C.  Para memorizar (registrar, filmar) IMAGENS NO CÉREBRO a LUZ desempenha um papel fundamental:

“(...) São fósforos, pensou. Trêmula de excitação, baixou-se, passeou as mãos sobre o chão, encontrou, este é um cheiro que não se confunde com nenhum outro, e o ruído dos pauzinhos quando agitamos a caixa (identificou o fósforo apenas com as LEMBRANÇAS táteis, olfativas e auditivas do objeto), o deslizar da tampa, a aspereza da lixa exterior, que é onde o fósforo está, o raspar da cabeça do palito, enfim a deflagração da pequena chama, o espaço ao redor, uma difusa esfera luminosa como um astro através da névoa, meu Deus, a LUZ existe e eu tenho olhos para a VER, louvada seja a LUZ”. Trecho de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA.


D. Hino ao Sol: Observe uma árvore. A luz do Sol incide sobre a árvore; a árvore, ao refletir a luz do Sol, revela sua IMAGEM (cores e formas).

“Quando nasces no horizonte a leste
Cobres toda a Terra coma tua beleza...
Embora longínquo, teus raios estão na Terra.”

    E.   JANELAS DA ALMA: O reflexo da luz, revelando a imagem da árvore, penetra em seus OLHOS e, ao chegar em seu cérebro, é fotografada (filmada) em uma Película de Neurônios. 

    F. VEMOS NO CÉREBRO: A partir desse momento você VER A IMAGEM DA ÁRVORE EM SEU CÉREBRO, e não a árvore à sua frente.

G.  “Se podes olhar, vê. Se pode ver, MEMORIZA” – Livro dos Conselhos: A aptidão para memorizar (registrar IMAGENS no cérebro) nos diferenciou dos demais primatas – mais adiante veremos ONDE e COMO isso ocorreu.

H.   É bem verdade que muitas espécies (águias, corujas, falcões, etc.) possuem um alcance visual muitas vezes superior ao nosso. Mas a questão não está na VISÃO. Vemos no cérebro, portanto, nós, ao contrário das demais espécies, desenvolvemos grande aptidão para VER E REGISTRAR AS IMAGENS NO CÉREBRO.

I.  O Cineasta da Criação: Nosso cérebro – como uma filmadora viva – registra as IMAGENS do cosmos – pelo menos até onde a LUZ alcança.



 “Que maravilhoso e surpreendente esquema temos aqui da magnífica imensidão do universo. Tantos Sóis , Tantas Terras...!” 
  Christian Huygens – 


J. Nosso cérebro registra as IMAGENS da CRIAÇÃO e as transforma em LEMBRANÇAS tridimensionais, coloridas e em movimento.

K.  KIM Phuc: Uma IMAGEM – no cérebro de muitos – contribuiu para pôr fim a uma guerra. Se tivéssemos VISTO (e registrado no cérebro) IMAGENS de Auschwitz...



 
A.   Kodachrome de Neurônios: Fazendo uma analogia, os CÉREBROS dos demais primatas funcionam como se fora uma FILMADORA sem filme, a LUZ (o reflexo das coisas) penetra em seus olhos, mas – sem uma PELÍCULA DE CELULÓIDE – não conseguem registrar as IMAGENS no CÉREBRO.
Nós, homo sapiens, desenvolvemos uma PELÍCULA DE NEURÔNIOS capaz de registrar as IMAGENS no CÉREBRO. Nosso cérebro funciona como se fora uma FILMADORA com filme.

Finalmente veremos como evoluímos a FALA e a HABILIDADE MANUAL




A CAÇADA, a fala e as mãos do Homem


Caçadores – coletores: “Andamos por aí, Com nossos filhos e todos os nossos pertences nas costas, (...) os homens em geral caçam, as mulheres em geral colhem. (...) O trabalho de equipe entre os caçadores é essencial. Para não assustar a caça devemos nos comunicar por uma linguagem de sinais.
Respeitamos os animais, reconhecemos nosso parentesco comum, nos identificamos com eles. Mas se refletimos muito (...) se sentimos pena deles, (...)  levamos para casa menos alimentos, e nosso bando pode se ver mais uma vez em perigo. Somos obrigados a criar uma distância emocional entre nós e eles.”  

 – Trecho de Bilhões e Bilhões, Carl Sagan –

A.    Cair da tarde e um grupo regressa de uma bem sucedida CAÇADA – nossa primeira ação coletiva (organizada). A aventura durou 10 horas.

B. Vivemos em um ETERNO PRESENTE. Portanto a caçada ocorreu no DECORRER do PRESENTE (sem sair do presente), e não no decorrer do tempo – não existe tempo.

C.   Toda a equipe de caça MEMORIZOU a façanha. Cada integrante, portanto, possui 10 horas de IMAGENS registradas no cérebro.



 
A.  À noite, em volta da fogueira, enquanto apreciam o produto da caça, cada integrante tenta descrever, narrar, contar as LEMBRANÇAS da CAÇADA.

B.  E assim desenvolvemos a FALA. Ou seja: a fala nasceu da tentativa de descrever, narrar, contar as LEMBRANÇAS de nossa vida.

C.   Excetuando-se variações nos ângulos e nos detalhes, as lembranças da caçada são as mesmas em cada CÉREBRO. No entanto, possuímos INDIVIDUALIDADE, e isto significa que cada integrante descreve suas lembranças de forma particular, personalizada.

D. POR EXEMPLO: o MODESTO descreve as lembranças da caçada minimizando a própria participação; o SOBERBO descreve as lembranças da caçada enaltecendo a própria participação; o TÍMIDO descreve – de forma acanhada – as lembranças da caçada; o INVEJOSO descreve as lembranças da caçada desqualificando a habilidade de outrem; o LÍDER – ao descrever as lembranças da caçada – exalta o grupo; o MENTIROSO descreve as lembranças da caçada falseando, negando, inventando detalhes inexistentes.

E.  Ainda com referência a NARRAÇÃO de LEMBRANÇAS, temos que considerar a eloquência, verborragia, pedantismo, cabotinismo, fanfarronice, otimismo, pessimismo, enfim, idiossincrasias próprias de cada indivíduo.

F.    Voltemos à fogueira: vibrando as cordas vocais e gesticulando, o grupo tenta descrever as lembranças da caçada. Enquanto isso, um deles, mais talentoso, tenta DESENHAR (no chão) as lembranças da caçada. 

OBS.: ver filme DANÇA COM LOBOS – cena da fogueira após a caçada dos búfalos.




G. PINTURAS RUPESTRES: Mais tarde, um outro, com talento artístico, tenta desenhar suas LEMBRANÇAS nas paredes das cavernas – e assim desenvolvemos a habilidade manual.

OBS.: Aprendemos a desenhar (com as mãos) antes de construir (com as mãos) a primeira machadinha – os instrumentos Acheulianos.

H. Serra da Capivara, Piauí; Lascaux, França; Altamira, Espanha: Ainda podemos encontrar esses desenhos nas paredes de grutas e cavernas, e em sítios arqueológicos espalhados pelo mundo.

  I. CONCLUSÃO: Desenvolvemos a FALA ao tentar descrever (narrar) nossas LEMBRANÇAS, e desenvolvemos a HABILIDADE MANUAL ao tentar desenhar (esculpir) nossas LEMBRANÇAS.

    J.“ENTENDEU, OU QUER QUE EU DESENHE?” : Esta frase popular significa: “Você entendeu quando relatei minha LEMBRANÇA com a voz, ou quer que eu desenhe minha LEMBRANÇA com as mãos?”

K.  “UMA CÂMERA NA CABEÇA, UMA IDEIA NAS MÃOS” : Após registrar as IMAGENS no cérebro, podemos descrevê-las com a VOZ, ou desenhá-las com as MÃOS. FALAMOS e DESENHAMOS (nossas) LEMBRANÇAS.

L.  “FALE COM MINHA MÃO!”: A linguagem dos sinais comprovam que podemos relatar nossas LEMBRANÇAS com a voz, ou – como é o caso dos surdos – mudos – descrevê-las com as MÃOS.

M.  “O inqualificável em plena perseguição ao incomível” – Oscar Wilde: Diferente da caçada primitiva, a CAÇA ESPORTIVA – como é o caso da caça à raposa na (Inglaterra – só ocorreu (ocorre!?) quando nos tornamos mais... “Inteligentes”.

N.  A ENSEADA: uma caçada é resultado de uma ação coletiva, um feito organizado. Significa, portanto, que é PREMEDITADA, ou seja: uma caçada é IDEALIZADA antecipadamente no CÉREBRO do homem: “fazer silêncio”, “cercar a presa”, “preparar os arpões,” etc.

Idealiza do cérebro ANTES, realiza com as mãos DEPOIS

O.   ... UM DIA É DO CAÇADOR; O OUTRO, TAMBÉM: Com a PREMEDITAÇÃO, qualquer animal caçado pelo homem (inclusive seus pares) está antecipadamente condenado à morte: primeiro matamos no CÉREBRO; em seguida, com as MÃOS.

Obs: Mais adiante voltaremos ao assunto... Continua...