Trecho de SCIENTIFIC
AMERAICAN, junho 2005.
“(...) Mas porque,
ainda assim, um chimpanzé não consegue aprender a FALAR e TOCAR piano pelo
menos um pouquinho? Um macaco jamais poderia tocar piano. Falta-lhe, para isso,
a capacidade de mover os dedos com velocidade e precisão (...) pesquisadores
que buscam as qualidades que caracterizam o humano até agora levaram menos em
conta que uma outra diferença: nossa posse da linguagem (...)”
A. Desenvolvemos
a FALA e a HABILIDADE MANUAL simultaneamente, portanto vamos explicá-las
conjuntamente.
B. Vivemos
em um ETERNO PRESENTE: Ao memorizar nossa PERMANÊNCIA NO PRESENTE, preenchemos
nosso CÉREBRO com as lembranças de nossa vida. Ao evoluir a MEMÓRIA, portanto,
criamos a ilusão do PASSADO nos miolos.
C. ROSEBUD:
As lembranças de sua infância se distanciam em seu CIRCUITO CEREBRAL e criam a
ilusão de que se afastam no tempo. O passado só existe em nosso cérebro – o
tempo é uma ilusão da MEMÓRIA.
D. Devemos
entender nosso CÉREBRO como uma FILMADORA ORGÂNICA muito especial, pois é capaz
de – utilizando uma Película de Neurônios – registrar as impressões dos nossos
(5) sentidos: VISÃO, AUDIÇÃO, PALADAR, OLFATO E TATO.
E. As
LEMBRANÇAS DE NOSSA VIDA, portanto, estão todas registradas em nosso CÉREBRO e
são formadas por: IMAGENS (principalmente imagens), SONS, SABORES, ODORES E
SENSAÇÕES TÁTEIS.
F. As
lembranças de nossa vida são formadas basicamente por IMAGENS. A aptidão para
REGISTRAR IMAGENS no CÉREBRO nos tornou humanos e permitiu, entre outras
coisas, o desenvolvimento da FALA e das MÃOS.
Antes de seguir adiante é preciso explicar passo a passo
como...
REGISTRAMOS IMAGENS NO CÉREBRO
“(...) O médico resumiu o que investigara nos livros antes de
ter cegado. Algumas camas adiante, escutava com atenção, e quando o médico
terminou o seu relato, disse de lá, Aposto que o que sucedeu foi terem-se
entupido os canais que vão dos OLHOS até aos MIOLOS, forte besta, resmungou
indignado o ajudante de farmácia, Quem sabe, o médico sorriu sem querer, na
verdade os OLHOS não são mais do que umas lentes, umas objectivas, o CÉREBRO é
que realmente VÊ, tal como na película (DE NEURÔNIOS) a IMAGEM aparece”. Trecho
de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA.
A. A
explicação do médico está correta: Realmente enxergamos no CÉREBRO.
B. CINEMA,
ASPIRINAS e URUBUS: Por exemplo, busque em seu CÉREBRO as imagens do mais
recente filme que assistiu. Agora – vendo as imagens do filme em seu cérebro –
faça uma sinopse do filme. Isto é possível porque temos aptidão para registrar
imagens no cérebro, e VER as imagens em nosso CÉREBRO.
C. Para
memorizar (registrar, filmar) IMAGENS NO CÉREBRO a LUZ desempenha um papel
fundamental:
“(...) São fósforos, pensou. Trêmula
de excitação, baixou-se, passeou as mãos sobre o chão, encontrou, este é um
cheiro que não se confunde com nenhum outro, e o ruído dos pauzinhos quando
agitamos a caixa (identificou o fósforo apenas com as LEMBRANÇAS táteis,
olfativas e auditivas do objeto), o deslizar da tampa, a aspereza da lixa
exterior, que é onde o fósforo está, o raspar da cabeça do palito, enfim a
deflagração da pequena chama, o espaço ao redor, uma difusa esfera luminosa
como um astro através da névoa, meu Deus, a LUZ existe e eu tenho olhos para a
VER, louvada seja a LUZ”. Trecho de ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA.
D. Hino
ao Sol: Observe uma árvore. A luz do Sol incide sobre a árvore; a árvore, ao
refletir a luz do Sol, revela sua IMAGEM (cores e formas).
“Quando nasces no horizonte a leste
Cobres toda a Terra coma tua
beleza...
Embora longínquo, teus raios estão na
Terra.”
E. JANELAS DA ALMA: O reflexo da luz,
revelando a imagem da árvore, penetra em seus OLHOS e, ao chegar em seu
cérebro, é fotografada (filmada) em uma Película de Neurônios.
F. VEMOS
NO CÉREBRO: A partir desse momento você VER A IMAGEM DA ÁRVORE EM SEU CÉREBRO,
e não a árvore à sua frente.
G.
“Se
podes olhar, vê. Se pode ver, MEMORIZA” – Livro dos Conselhos: A aptidão para
memorizar (registrar IMAGENS no cérebro) nos diferenciou dos demais primatas –
mais adiante veremos ONDE e COMO isso ocorreu.
H. É
bem verdade que muitas espécies (águias, corujas, falcões, etc.) possuem um
alcance visual muitas vezes superior ao nosso. Mas a questão não está na VISÃO.
Vemos no cérebro, portanto, nós, ao contrário das demais espécies,
desenvolvemos grande aptidão para VER E REGISTRAR AS IMAGENS NO CÉREBRO.
I. O Cineasta da Criação: Nosso cérebro
– como uma filmadora viva – registra as IMAGENS do cosmos – pelo menos até onde
a LUZ alcança.
“Que maravilhoso e surpreendente
esquema temos aqui da magnífica imensidão do universo. Tantos Sóis , Tantas
Terras...!”
– Christian Huygens –
J. Nosso cérebro registra as IMAGENS da
CRIAÇÃO e as transforma em LEMBRANÇAS tridimensionais, coloridas e em
movimento.
K. KIM Phuc: Uma IMAGEM – no cérebro de
muitos – contribuiu para pôr fim a uma guerra. Se tivéssemos VISTO (e
registrado no cérebro) IMAGENS de Auschwitz...
A. Kodachrome de Neurônios: Fazendo uma
analogia, os CÉREBROS dos demais primatas funcionam como se fora uma FILMADORA sem
filme, a LUZ (o reflexo das coisas) penetra em seus olhos, mas – sem uma
PELÍCULA DE CELULÓIDE – não conseguem registrar as IMAGENS no CÉREBRO.
― Nós, homo sapiens, desenvolvemos uma PELÍCULA DE NEURÔNIOS
capaz de registrar as IMAGENS no CÉREBRO. Nosso cérebro funciona como se fora
uma FILMADORA com filme.
Finalmente veremos
como evoluímos a FALA e a HABILIDADE MANUAL:
A CAÇADA, a fala e as mãos do Homem
Caçadores – coletores:
“Andamos por aí, Com nossos filhos e todos os nossos pertences nas costas,
(...) os homens em geral caçam, as mulheres em geral colhem. (...) O trabalho
de equipe entre os caçadores é essencial. Para não assustar a caça devemos nos
comunicar por uma linguagem de sinais.
Respeitamos os
animais, reconhecemos nosso parentesco comum, nos identificamos com eles. Mas
se refletimos muito (...) se sentimos pena deles, (...) levamos para casa menos alimentos, e nosso
bando pode se ver mais uma vez em perigo. Somos obrigados a criar uma distância
emocional entre nós e eles.”
– Trecho de Bilhões e Bilhões, Carl Sagan –
A. Cair da tarde e um grupo regressa de
uma bem sucedida CAÇADA – nossa primeira ação coletiva (organizada). A aventura
durou 10 horas.
B. Vivemos
em um ETERNO PRESENTE. Portanto a caçada ocorreu no DECORRER do PRESENTE (sem
sair do presente), e não no decorrer do tempo – não existe tempo.
C. Toda a equipe de caça MEMORIZOU a
façanha. Cada integrante, portanto, possui 10 horas de IMAGENS registradas no
cérebro.
A. À noite, em volta da fogueira,
enquanto apreciam o produto da caça, cada integrante tenta descrever, narrar,
contar as LEMBRANÇAS da CAÇADA.
B. E
assim desenvolvemos a FALA. Ou seja: a fala nasceu da tentativa de descrever,
narrar, contar as LEMBRANÇAS de nossa vida.
C. Excetuando-se
variações nos ângulos e nos detalhes, as lembranças da caçada são as mesmas em
cada CÉREBRO. No entanto, possuímos INDIVIDUALIDADE, e isto significa que cada
integrante descreve suas lembranças de forma particular, personalizada.
D. POR
EXEMPLO: o MODESTO descreve as lembranças da caçada minimizando a própria
participação; o SOBERBO descreve as lembranças da caçada enaltecendo a própria
participação; o TÍMIDO descreve – de forma acanhada – as lembranças da caçada;
o INVEJOSO descreve as lembranças da caçada desqualificando a habilidade de
outrem; o LÍDER – ao descrever as lembranças da caçada – exalta o grupo; o
MENTIROSO descreve as lembranças da caçada falseando, negando, inventando
detalhes inexistentes.
E. Ainda
com referência a NARRAÇÃO de LEMBRANÇAS, temos que considerar a eloquência,
verborragia, pedantismo, cabotinismo, fanfarronice, otimismo, pessimismo, enfim, idiossincrasias próprias de cada indivíduo.
F. Voltemos à fogueira: vibrando as
cordas vocais e gesticulando, o grupo tenta descrever as lembranças da caçada.
Enquanto isso, um deles, mais talentoso, tenta DESENHAR (no chão) as lembranças
da caçada.
OBS.: ver filme DANÇA COM LOBOS – cena da fogueira após a caçada dos búfalos.
G. PINTURAS RUPESTRES: Mais tarde, um
outro, com talento artístico, tenta desenhar suas LEMBRANÇAS nas paredes das
cavernas – e assim desenvolvemos a habilidade manual.
OBS.: Aprendemos a
desenhar (com as mãos) antes de construir (com as mãos) a primeira machadinha –
os instrumentos Acheulianos.
H. Serra da Capivara, Piauí; Lascaux,
França; Altamira, Espanha: Ainda podemos encontrar esses desenhos nas paredes
de grutas e cavernas, e em sítios arqueológicos espalhados pelo mundo.
I. CONCLUSÃO:
Desenvolvemos a FALA ao tentar descrever (narrar) nossas LEMBRANÇAS, e
desenvolvemos a HABILIDADE MANUAL ao tentar desenhar (esculpir) nossas
LEMBRANÇAS.
J.“ENTENDEU,
OU QUER QUE EU DESENHE?” : Esta frase popular significa: “Você entendeu quando
relatei minha LEMBRANÇA com a voz, ou quer que eu desenhe minha LEMBRANÇA com
as mãos?”
K. “UMA
CÂMERA NA CABEÇA, UMA IDEIA NAS MÃOS” : Após registrar as IMAGENS no cérebro,
podemos descrevê-las com a VOZ, ou desenhá-las com as MÃOS. FALAMOS e
DESENHAMOS (nossas) LEMBRANÇAS.
L. “FALE
COM MINHA MÃO!”: A linguagem dos sinais comprovam que podemos relatar nossas
LEMBRANÇAS com a voz, ou – como é o caso dos surdos – mudos – descrevê-las com
as MÃOS.
M. “O inqualificável em plena
perseguição ao incomível” – Oscar Wilde: Diferente da caçada primitiva, a CAÇA
ESPORTIVA – como é o caso da caça à raposa na (Inglaterra – só ocorreu
(ocorre!?) quando nos tornamos mais... “Inteligentes”.
N. A ENSEADA: uma caçada é resultado de
uma ação coletiva, um feito organizado. Significa, portanto, que é PREMEDITADA,
ou seja: uma caçada é IDEALIZADA antecipadamente no CÉREBRO do homem: “fazer
silêncio”, “cercar a presa”, “preparar os arpões,” etc.
Idealiza do cérebro
ANTES, realiza com as mãos DEPOIS
O. ... UM DIA É DO CAÇADOR; O OUTRO, TAMBÉM: Com a PREMEDITAÇÃO, qualquer animal caçado pelo homem (inclusive seus
pares) está antecipadamente condenado à morte: primeiro matamos no CÉREBRO; em
seguida, com as MÃOS.
Obs: Mais adiante voltaremos ao assunto... Continua...






